
Do percurso pessoal nasce o trabalho simbólico...
O Trabalho Alquímico
Cada pessoa carrega em si uma história única – feita de memórias, símbolos e experiências que, muitas vezes, permanecem nas camadas mais profundas do inconsciente.
O meu trabalho nasce do encontro entre várias linhas da psicologia, em especial a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, que escuta a linguagem dos sonhos e dos arquétipos. A sua abordagem somam-se a interpretação simbólico dos contos de fadas (FairyTales); e a arte-terapia junguiana, que convidam o acto criativo e a imaginação activa a expressarem o que as palavras nem sempre alcançam.
Acolho quem atravessa processos de transformação psíquica, quem procura compreender os próprios símbolos internos, bem como integrar experiências de trauma, incluindo vivências associadas ao período pré e perinatal.
Neste labor alquímico, cada processo terapêutico é singular. O ser é compreendido como um ser dinâmico, corpo e alma entrelaçados, cujas imagens e emoções compõem um campo vivo de significação. A relação analítica é, por isso, moldada à natureza da aproximação simbólica e subjectiva da cada caso.
Nas sessões, abordamos temas e padrões que emergem do inconsciente, especialmente através dos sonhos e do material imagético. Estes conteúdos são observados no contexto da biografia pessoal e da direcção de vida, favorecendo a integração dos opostos e o avanço gradual do processo de individuação.
"Individuação significa tornar-se um ‘in-divíduo’ e, na medida em que a ‘individualidade’ abrange a nossa mais íntima, última e incomparável singularidade, implica também tornar-se o próprio Self."
Carl Jung, Collected Works, vol. 7

Terapia Junguiana
A Psicologia Analítica, fundada por Carl Gustav Jung, compreende a psique como um sistema dinâmico e auto-regulador orientado para o processo de individuação — o vir-a-ser de si mesmo, no qual o indivíduo integra as diferentes dimensões da personalidade e se aproxima da totalidade interior - a realização simbólica do Self.
Jung afirmava que “o encontro com o inconsciente é o ponto de viragem de toda a vida”, sublinhando que a integração psicológica depende do diálogo contínuo entre consciência e inconsciente.
Na prática clínica, a terapia junguiana propõe um espaço de escuta qualificada, uma atitude clínica de presença e sustentação ética, permitindo a emergência e elaboração de conteúdos inconscientes.
Mais do que a redução de sintomas, a terapia junguiana orienta-se por um propósito mais profundo: facilitar o encontro com o Self — o centro organizador da psique — e promover uma relação consciente com os dinamismos interiores.
Ao integrar as diferentes dimensões da experiência, o indivíduo amplia a sua capacidade de adaptação, fortalece a coerência interna e encontra um sentido de vida enraizado na totalidade do ser.

Sonhos
“O sonho é a pequena porta oculta no mais profundo e íntimo santuário da alma,
que se abre para a noite cósmica primordial.”
Carl Gustav Jung,
The Meaning of Psychology for Modern Man
Na perspetiva junguiana, o sonho é uma produção espontânea do inconsciente, portador de mensagens simbólicas que compensam ou ampliam a atitude consciente.
A análise de sonhos não se reduz a uma decifração linear: envolve a compreensão de imagens, narrativas e símbolos que revelam tanto o estado psíquico atual como as direções possíveis de crescimento interior.
Através da amplificação simbólica, procuramos reconhecer, no material onírico, um guia interno do processo de individuação.
O trabalho com os sonhos favorece o diálogo com o inconsciente, fortalecendo a autonomia psíquica e a coerência interna.

Imago e Imaginação Activa
“A imaginação ativa transforma os conteúdos inconscientes em imagens vivas, permitindo que se tornem parte da experiência consciente.”
Carl Gustav Jung, Collected Works, vol. 8
A imaginação activa constitui um método não verbal de comunicação com o inconsciente. Por meio de desenho, pintura, colagem ou outras formas criativas, as imagens interiores adquirem forma visível possibilitando um diálogo pré-verbal e direto entre os níveis consciente e inconsciente da psique.
Mais do que uma prática estética, trata-se da materialização simbólica dos conteúdos internos, que assim podem ser vistos, compreendidos e integrados.
A imaginação ativa estimula a função transcendente, a capacidade da psique de criar pontes entre opostos e favorecer a totalidade psíquica.

Sombra e Complexos
“Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas tornando consciente a escuridão.”
Carl Gustav Jung, Alchemical Studies
A Sombra, conceito central em Jung, designa o conjunto de aspetos rejeitados ou não reconhecidos pela personalidade — conteúdos considerados “negativos”, mas que representam também potenciais não desenvolvidos.
O encontro consciente com a Sombra é um passo essencial no processo de integração, pois protege que esses conteúdos sejam projectados no mundo externo, perpetuando conflitos relacionais e internos.
Os complexos - núcleos de afecto e representação organizados em torno de experiências significativas - são igualmente trabalhados, permitindo reconhecer e integrar a energia psíquica neles contida. Esse reconhecimento reduz repetições inconscientes e liberta vitalidade criativa.

Interpretação Junguiana de Contos de Fadas
“Os contos de fadas são a mais pura e simples expressão dos processos inconscientes do psiquismo coletivo.”
Marie-Louise von Franz,
The Interpretation of Fairy Tales
Os contos de fadas representam narrativas arquetípicas que, ao longo dos séculos, preservaram imagens universais do desenvolvimento psíquico humano.
Na leitura simbólica, estas histórias revelam padrões de crescimento e oferecem metáforas de transformação que iluminam o processo de individuação.
A interpretação junguiana de contos de fadas permite reconhecer, no material simbólico coletivo, os paralelos com os desafios individuais de cada percurso analítico.
Essa aproximação ativa a dimensão atemporal da psique e favorece o surgimento de significados que transcendem a biografia pessoal.
A análise junguiana é, assim, uma arte de transformação:
a escuta do símbolo torna-se via para o reencontro com a totalidade interior.